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02/07/2008 20:10 Espanhóis maltratam brasileiros, que maltratam bolivianos Os imigrantes são maltratados e considerados cidadãos de segunda categoria. Quando ilegais, apesar de trabalharem duro para o crescimento do país, são presos e deportados quando encontrados pela polícia. Passam por todo o tipo de preconceito racial, religioso, lingüístico. E enquanto devolve imigrantes, o país e suas empresas exploram os recursos naturais e a mão-de-obra do país de origem dos imigrados, ganhando muito dinheiro com isso e não trazendo desenvolvimento sustentável. Poderia estar falando dos Estados Unidos e da União Européia, que implantam novas regras de imigração, tornando lei o preconceito que já se impera nas fronteiras secas, nos portos e aeroportos. Mas também poderia estar falando do tratamento que o Brasil dá aos trabalhadores dos países vizinhos que vêm tentar a sorte por aqui como é o caso de bolivianos submetidos a condições degradantes no Centro de São Paulo. Ou o tratamento que o capital tupiniquim que cruza a fronteira dispensa aos trabalhadores locais como nas fazendas de soja de brasileiros no Paraguai. Somos imperialistas e preconceituosos, mas diante do preconceito vindo de outras nações, acabamos esquecendo nosso próprio. Viramos as costas para a América Latina e a África, apesar de dividirmos uma memsa história de colonização com eles. É mais fácil ouvir o governo federal pregar a integração econômica do que a livre circulação de pessoas e o trabalho livre em qualquer lugar por qualquer cidadão do Mercosul, por exemplo. Queremos menos barreiras tarifárias, mas deixamos as barreiras sociais intactas. Os bolivianos não vem para cá atrás das belezas naturais de São Paulo, mas sim de oportunidades de vida melhores, fugindo da miséria. Miséria da qual, muitas vezes, somos co-responsáveis por explorar terra, trabalho e recursos naturais lá. Guardadas as proporções, é a mesma coisa que o pessoal do hemisfério norte faz com a gente aqui. Reclamamos dos estrangeiros operando no Brasil, porém, quando alguém na Bolívia ou no Paraguai pensa em rever contratos para tornar menos dolorosa a exploração, a opinião pública daqui brada aos quatro ventos o absurdo que é essa ousadia. Ousadia, que leio como coragem de lutar por seus direitos sociais, que eles têm e nós não. Adoraria que o Brasil desse um exemplo aos países do Norte, derrubando os muros que criam cidadãos de primeira e segunda classe por aqui, possibilitando o livre trânsito de trabalhadores. Não sou ingênuo de ignorar os impactos que isso traria. Mas, certamente, a partir disso os encarregados de nossoas relações internacionais dariam mais atenção ao desenvolvimento social de nossos países vizinhos. Nosso destino está ligado ao deles, quer a nossa elite queira ou não. enviada por Sakamoto 30/06/2008 11:18 O mundo se curvará ao etanol. Tem gente que já se curvou Lula disse ontem, durante um evento na fábrica da Volkswagen, que o mundo vai se curvar ao etanol. Conheci um cortador de cana no interior de São Paulo, que já se curvou. Trabalhou tanto pelo "progresso" que ganhou um problema de coluna. Aposentado, não juntou nada e mora na pobreza no interior no Nordeste. Nunca teve um carro. enviada por Sakamoto 27/06/2008 08:42 Propagandas fazem a gente ficar feliz por pagar pedágio caro Vocês perceberam que toda a vez que o setor privado vai tungar o bolso do consumidor com um aumento bizarro ou quer esconder algo chovem anúncios nos veículos de comunicação mostrando como a vida é melhor com eles? Nesta semana, os pedágios estaduais de São Paulo subiram, em média, 11,52%. A tarifa mais cara segue sendo a da empresa Ecovias, que liga a capital ao litoral sul. Para descer a Serra, o paulista passou a pagar R$ 17, ao invés de R$ 15,40. Quem ligar a televisão, vai ver a megaprodução que é o comercial da Ecorodovias, mostrando como é bom dar o dinheiro a eles. Essa explosão de mídia também acontece para limpar a barra de montadoras que são obrigadas a fazer recall porque o produto delas decepa dedos ou mata, empresas envolvidas por corrupção ativa em Brasília, indústrias mineradoras que poluem o meio ambiente e plantadoras de eucaliptos que expulsam indígenas de suas terras. E a gente vai engolindo tudo. Como em uma novela. Cujo final feliz é deles, não nosso. enviada por Sakamoto 26/06/2008 11:41 Justiça condena defensor dos direitos humanos no Pará José Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra e membro da coordenação nacional da entidade, é um dos maiores defensores dos direitos humanos que conheço. Tem incomodado latifundiários, grileiros, pistoleiros, empresários e políticos corruptos e criminosos há anos. Agora, ele foi condenado a prisão em um caso estranho que só vêm a mostrar mais uma vez que para punir os poderosos a Justiça Federal de Marabá parece não funcionar, mas para criminalizar e condenar defensores de direitos humanos ela tem sido eficaz. O juiz federal de Marabá, Carlos Henrique Haddad, condenou José Batista Gonçalves Afonso a uma pena de dois anos e cinco meses. Na mesma sentença, o juiz condenou também à mesma pena Raimundo Nonato Santos da Silva, ex-coordenador regional da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará. De acordo com nota da Comissão Pastoral da Terra, o fato que originou o processo aconteceu em abril de 1999. Inconformados com a lentidão do Incra no assentamento de milhares de famílias sem-terra acampadas e com a precariedade dos assentamentos existentes, mais de 10 mil trabalhadores rurais de acampamentos e assentamentos da Fetagri e do MST montaram acampamento em frente ao escritório do órgão em Marabá. Somente após 20 dias acampados é que o governo decidiu se reunir com os trabalhadores e negociar a pauta de reivindicação. Devido à demora de uma reunião entre representantes de trabalhadores e órgãos públicos, o povo já cansado e com fome, perdeu a paciência e entrou nas dependências do Incra, ficando em volta do auditório e impedindo a saída da equipe de negociação do prédio durante o resto da noite e início da manhã do dia seguinte. O advogado José Batista, que fazia apenas seu papel de assessor do MST e da Fetagri nas negociações, se retirou do prédio logo após a ocupação em companhia de Manoel de Serra, presidente da Contag, e Isidoro Revers, coordenador nacional da CPT à época, para tentar mediar o conflito. Mesmo assim foi processado junto com várias outras lideranças, acusado de ter impedido a equipe de sair do prédio. Em abril de 2002, o Ministério Público propôs suspensão do processo, mediante pagamento de seis cestas básicas por cada um dos acusados e comparecimento mensal à Justiça Federal, o que foi aceito por José Batista e demais acusados. Ainda durante o cumprimento das condições, a Polícia Federal indiciou novamente José Batista, e teve início outro processo, em razão de um segundo acampamento dos mesmos movimentos em frente ao Incra. Novamente foi proposto a ele o pagamento de cestas básicas para a suspensão do segundo processo, tendo sido aceita a proposta. Cumpridas as condições impostas no primeiro processo e, no momento do MPF requerer a extinção do mesmo, outro juiz (Francisco Garcês Júnior) assumiu a vara federal de Marabá e, sem nenhum fato novo, sem ouvir o MPF, anulou todas as decisões do seu antecessor e determinou o seguimento dos dois processos contra Batista e Nonato. O segundo processos prescreveu no ano passado e o primeiro resultou na atual condenação. (Só para lembrar: Garcês foi o mesmo juiz que deu várias liminares a fazendeiros escravagistas que pediam para ter seu nome retirado da lista suja do trabalho escravo do governo federal. Quem parace na lista perde crédito em bancos e clientes do setor privado. Não se pode reclamar que o juiz não seja coerente em suas posições.) Segundo a nota, que também é assinada por diversas organizações, a decisão do atual juiz federal de Marabá é política e demonstra claramente o processo de criminalização imposto pela Policia Federal e a Justiça Federal de Marabá contra as lideranças dos movimentos sociais da região, que há décadas vêm enfrentado a violência de latifundiários e madeireiros locais bem como a perseguição da companhia Vale. A parcialidade do juiz ficou evidente não só no fato da condenação, mas também na definição da pena. O crime de cárcere privado, imputado ao advogado, prevê pena mínima de um ano e máxima de três. Ele foi condenado à pena de dois anos e cinco meses de reclusão, agindo o juiz em contra-senso de entendimento por ele próprio expressado na sentença ao afirmar que: É possível que não tenha incitado a invasão da sede do Incra pelos trabalhadores rurais e parece crível que não teria condições de controlar a multidão exaltada. Diz também a sentença que houve emprego de grave ameaça contra a pessoa, mesmo não havendo nenhuma prova de tal fato no processo. Alegando isso, o juiz negou ao advogado o direito da pena alternativa. De acordo com a CPT, tudo indica que a decisão do juiz tem a intenção de afastá-lo de suas atividades de defensor dos direitos humanos na região. Nos últimos anos, a CPT através de seus advogados vem travando uma dura luta no poder judiciário pela condenação dos mandantes do assassinato da missionário Dorothy Stang, do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, bem como, fazendo a defesa de centenas de lideranças dos trabalhadores em processos contra a empresa Vale. Será pura coincidência essa decisão do juiz federal nesse contexto quando os advogados da CPT ao defender os direitos humanos e ambientais estão ferindo os interesses de grupos econômicos poderosos da região? enviada por Sakamoto 25/06/2008 11:18 Ops, ele fez de novo... Participei ontem, aqui em São Paulo, de um grande evento que reuniu mais de 200 presidentes de empresas, ministros, o prefeito da cidade, o governador do estado e o presidente da República para discutir a responsabilidade empresarial e a efetivação dos direitos humanos. Em seu discurso, o governador Serra não tratou decentemente das questões de exploração do trabalho, mas também não esperava muito dele. Governa um estado em que a agroindústria vive no céu e aos bóias-frias as batatas. Quando chegou a sua vez de falar, Lula fez de novo a besteira de minimizar a exploração do trabalho na cana, dizendo que a situação não era pior que os mineiros europeus de 200 anos atrás. Descendo do pulpito, ao final, o presidente trocou palavras de antigo conhecido com um usineiro, que possui um histórico de graves problemas trabalhistas. Afe! O evento foi forte aos discutir problemas como desigualdade de gênero e raça, direitos de pessoas com deficiência, direitos de crianças e adolescentes, além de trabalho escravo. Pena que alguns discursos não condizeram com isso. enviada por Sakamoto Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |
Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). ![]()
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